Clínicos e cirurgiões

DEFICIÊNCIA NA FORMAÇÃO E TREINAMENTO EM EMERGÊNCIA NO BRASIL – CLÍNICO E CIRURGIÃO

A) NA RESIDÊNCIA DE CLÍNICA MÉDICA – DIFICULDADES TÉCNICAS QUE O CLÍNICO APRESENTA NA EMERGÊNCIA

 

Na grande maioria das residências de clínica médica, o tempo de treinamento em emergência não passa de 5 a 8 meses, o que julgamos insuficiente. Ele não costuma ter estágio em pronto-socorro de pediatria, ginecologia ou de procedimentos mais invasivos (por exemplo, cricotireoidostomia, drenagem de tórax) e não passa por treinamento e atendimento ao politraumatizado. 

 

A.1 – Programa da Residência de Clínica Médica – Tempo na Emergência Considerado Insuficiente

Conforme o artigo 5º da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), o tempo mínimo de treinamento de emergência é de 15%, ou seja, no mínimo de 3,3 meses, o que é absolutamente insuficiente. Mesmo em algumas universidades que esse treinamento chega a 8 ou 10 meses, mesmo assim, ainda é muito pouco pra que ele seja capaz de atender um paciente grave.

 

Trecho da Comissão Nacional de Residência Médica – Clínica Médica.

“Art. 5º Os locais e a carga horária para o treinamento do residente serão:

  1. Na área de Clínica Médica:
  2. a) Unidade de internação, geral e especificada: mínimo de 40% da carga horária anual.
    b) Ambulatórios gerais e especializados: mínimo de 20% da carga horária anual.
    c) Serviço de Emergência: mínimo de 15% da carga horária anual. “


A.2 – Estágios que o Clínico NÃO Faz mas que são Importantes

  1. Estágio em Sistemas de Atendimento Pré-Hospitalar.
  2. Estágio em Emergência Pediátrica.
  3. Estágio em Ginecologia e Obstetrícia.
  4. Estagio em Emergência Relacionada ao Trauma (atendimento ao politrauma).
  5. Estágio em Emergência Ortopédica.
  6. Estágio em Emergências com Procedimentos mais Invasivos (drenagem de tórax, manejo avançado de vias aéreas).
  7. Estágio em ultrassonografia no paciente crítico.
  8. Estágio em transporte de paciente, inclusive, aeromédico.

 

A.3 – Habilidades e Aspectos Práticos Emergenciais que Não Faz Parte da Residência de Clínica Médica (muitas vezes, encaminhando pacientes desnecessariamente)

  1. Abordar o paciente como um todo, sem a artificial divisão: patologia clínica contra patologia cirúrgica. Em geral, o atendimento a pacientes cirúrgicos é feito pelo residente da cirurgia.
  2. Atendimento Pré-Hospitalar.
  3. Atendimento inicial ao paciente vítima de traumatismo (Politrauma).
  4. Atendimento de mulheres com queixas ginecológicas (corrimento vaginal, sangramento transvaginal, dor pélvica, inflamações pélvicas agudas etc).
  5. Atendimento inicial da criança (Pediatria).
  6. Atendimento inicial de pacientes com queixas visuais e otorrinolaringológicas.
  7. Atendimento inicial à paciente grávida.
  8. Princípios do atendimento à catástrofes.
  9. Drenagem de tórax.
  10. Dissecção venosa
  11. Lavagem peritoneal diagnóstica
  12. Manejo de lesões anorretais (hemorróidas, fissuras, drenagem de abscessos).
  13. Manejo inicial de fraturas ósseas.
  14. Bloqueios anestésicos regionais.
  15. Ultrassonografia no paciente grave na emergência.
  16. Transporte de pacientes graves, inclusive, aeromédico.

 

B) – NA RESIDÊNCIA DE DOIS ANOS DE CIRURGIA – DIFICULDADES TÉCNICAS QUE O CIRURGIÃO APRESENTA NA EMERGÊNCIA

 

Na grande maioria das residências de dois anos de cirurgia, o tempo de treinamento em emergência também não passa de 5 a 10 meses, o que julgamos insuficiente. Ele não costuma ter estágio em pronto-socorro de pediatria, cardiologia, neurologia clínica, pneumologia, de patologias consideradas “clínicas” ou de procedimentos/condutas emergenciais (por exemplo, marcapasso transvenoso, trombólise química, manejo de arritmias graves, de pacientes agudamente intoxicados, de infecções graves comunitárias etc). 

 

 B.1 – PROGRAMA DA RESIDÊNCIA DE DOIS ANOS DE CIRURGIA – TEMPO NA EMERGÊNCIA CONSIDERADO INSUFICIENTE

 

Conforme o artigo 5º da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), o tempo mínimo de treinamento de emergência é de 15%, ou seja, no mínimo de 3,3 meses, o que é absolutamente insuficiente. Mesmo em algumas universidades que esse treinamento chega a 7 a 10 meses, mesmo assim, ainda é muito pouco pra que ele seja capaz de atender um paciente grave.

 

Trecho da Comissão Nacional de Residência Médica – Dois Anos de Cirurgia.

“Art. 5º Os locais e a carga horária para o treinamento do residente serão:

  1. II) Na área de Cirurgia Geral:
    a) Ambulatório de Cirurgia Geral e de Especialidades Cirúrgicas: mínimo de 15% da carga horária anual.
    b) Unidade de Internação de Cirurgia Geral e de Especialidades Cirúrgicas: mínimo de 20% da carga horária anual.
    c) Serviço de Emergência: mínimo de 15% da carga horária anual.
    d) Centro Cirúrgico: mínimo de 15% da carga horária anual. “
  • Estágios que o Cirurgião não Faz mas que são Importantes

 

  1. Estágio em Emergência Pediátrica.
  2. Estágio em Emergência de Atendimento de Pacientes “Clínicos” (asma, arritmia, infarto, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, pneumonia, infecções comunitárias graves, cefaléia, meningite, encefalite, paciente idoso, paciente com câncer, acidente vascular cerebral isquêmico, doenças auto-imunes, reações alérgicas agudas, lesões cutâneas, intoxicações exógenas agudas, paciente com AIDS etc).
  3. Estágio em Emergências com Procedimentos Emergenciais Importantes: marcapasso transvenoso, punção liquórica, manejo de dispositivos de ventilação não invasiva, indução de hipotermia pós parada cardíaca, técnicas de resfriamento para grave hipertermia etc).
  4. Estágio em ultrassonografia no paciente crítico.
  5. Estágio em transporte de paciente, inclusive, aeromédico.

 

  • Habilidades e Aspectos Práticos Emergenciais que Não Faz Parte da Residência de Cirurgia (muitas vezes, encaminhando pacientes desnecessariamente)

 

  1. Abordar o paciente como um todo, sem a artificial divisão: patologia clínica contra patologia cirúrgica. Em geral, o atendimento a pacientes “clínicos” é feito pelo residente da clínica médica.
  2. Manejo de paciente com insuficiência respiratória aguda.
  3. Manejo do paciente comatoso não relacionado ao trauma.
  4. Manejo de pacientes agudamente intoxicados.
  5. Abordagem do paciente em delirium.
  6. Manejo de paciente com dor torácica aguda.
  7. Tratamento agudo do infarto agudo do miocárdio.
  8. Manejo de paciente com descompensação da insuficiência cardíaca.
  9. Manejo de pacientes com emergência relacionada à patologias hematológicas (hemofilia, CIVD, leucemia, neutropenia febril, doença de vonWillebrand, síndrome de hiperviscosidade, síndrome de lise tumoral).
  10. Manejo de emergência no paciente com insuficiência renal aguda.
  11. Pacientes com síndromes hipertérmicas agudas (intermação, síndrome neuroléptica maligna).
  12. Manejo de picada de cobra, inseto, aranha, escorpião.
  13. Manejo da emergência tireoidiana.
  14. Tratamento da embolia pulmonar grave.
  15. Manejo agudo de doenças infecciosas potencialmente fatais (meningite, encefalite, meningococemia, tétano, leptospirose, síndrome do choque tóxico, malária, febre amarela, calazar, doença de Chagas aguda, estados reacionais da hanseníase, encefalite viral, epiglotite aguda).
  16. Manejo de lesões cutâneas graves (necrólise epidérmica tóxica, síndrome de Stevens-Jonhson, síndrome hipersensibilidade à drogas-DRESS).
  17. Tratamento agudo do acidente vascular cerebral isquêmico.
  18. Transtornos psiquiátricos agudos.
  19. Manejo de arritmias.
  20. Manejo do paciente diabético grave.
  21. Manejo do profissional da saúde que teve acidente com produtos biológicos.
  22. Manejo do paciente vítima de abuso sexual.
  23. Manejo do paciente em estado de mal epiléptico.
  24. Manejo do idoso com doença aguda.
  25. Complicações do paciente com AIDS.
  26. Manejo do paciente com complicação aguda do câncer.
  27. Manejo do paciente terminal.
  28. Tratamento emergencial nas doenças auto-imunes.
  29. Atendimento inicial da criança com patologia “clínica” (Pediatria).
  30. Atendimento inicial à paciente grávida.
  31. Bloqueios anestésicos regionais.
  32. Realizar ultrassonografia no paciente grave.
  33. Transporte de pacientes graves, inclusive, aeromédico.